COMPRAR MENOS, REAPROVEITAR OU RECICLAR GARRAFA PET?
| CIDADANIA E MEIO AMBIENTE | BEATRIZ ZOGAIB |
Ao abrir uma garrafa de água mineral ou de refrigerante, poucos param para pensar: aquela embalagem plástica não tem destino certo. Teria, caso a população tivesse consciência ambiental ou praticasse o que sabe. Apesar de inúmeras alternativas para que elas não poluam tanto o meio-ambiente, as garrafas PET, cujo tempo de decomposição é, em média, de 100 anos, continuam parando no mar, nos rios, nos aterros ou em qualquer lugar onde se tornam lixo, no pior sentido da palavra.
No ano passado, 203 mil toneladas das tais garrafas tiveram esse fim. É o que aponta a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). A organização indica que a reciclagem das embalagens no Brasil teve crescimento de 18,6% em 2007, em comparação com 2006, o que significa que 230 mil toneladas do material receberam destinação ambientalmente adequada. O número corresponde a 53,2% das 432 mil toneladas de novas garrafas produzidas e poderia ser comemorado, pois nos coloca como o segundo país que mais recicla PET. O problema é que a capacidade de reciclagem brasileira para o setor poderia ser no mínimo 30% superior à atual. Ou seja, ainda falta um longo caminho para sermos ecologicamente corretos, de verdade.
O PET é o melhor e mais resistente plástico para fabricação de garrafas e embalagens, mas o que muitas pessoas não sabem é que, reciclado, o material serve para a produção de camisetas, cartões de crédito ou para embalar alimentos, o que foi autorizado neste ano pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em Serra Negra, a loja de sucatas SuKa-Tudo descobriu outra opção: revender as PETs para uma fábrica que as utiliza na produção de encanamento plástico. Segundo o proprietário da loja, Marco Antônio Pinheiro, são cerca de 17 toneladas de PET por mês, sete compradas de 13 engarrafadoras da região (que descartam embalagens com defeito). As empresas parecem não ter alternativa para o engarrafamento. De acordo com Antônio Carlos da Silva, gerente de produção da Fonte Verônica, uma opção seria usar o vidro, mas este “saiu do mercado”.
As garrafas, portanto, não vão deixar de ser comercializadas, fato que pode ser contornado com o reaproveitamento delas. Nesse caso, sobram opções, pois as embalagens se tornam móveis, bolsas, vassouras, caixas de presente, brinquedos e até objetos de decoração.
Em 2006, o Projeto “Serra Iluminada”, coordenado pelo Conselho Municipal de Turismo de Serra Negra, decorou a cidade com adornos natalinos produzidos com 175 mil PETs. A responsável pela campanha foi a paisagista Sirlene Terenciani, que acredita valer a pena reutilizar as embalagens. “É impressionante o que se pode fazer com PET. Dá até para produzir material pedagógico para crianças”, afirma. Segundo ela, o projeto, que envolveu estudantes e a população da terceira idade, foi um trabalho de conscientização que mostrou ser possível mobilizar a cidade em prol do meio ambiente.
Essas iniciativas podem e devem ser seguidas. Mas, quando o assunto é diminuir a quantidade de resíduos no mundo, é importante lembrar que ambientalistas consideram a reciclagem e o reaproveitamento do plástico como últimas opções. A primeira é reduzir o consumo, escolha que depende da consciência (não só ambiental) de cada um.
Saiba Mais: Pata quem quiser reaproveitar as Pets ou outros materiais usando a criatividade, a dica é checar algumas idéias no site www.artereciclada.com.br


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